A supressão do crédito internacional criou fato novo e terrível. As trading pegavam dinheiro no mercado externo, convertiam dólares em reais pela taxa do dia e fechavam pré-contratos com os empresários. Ganhavam na oferta de dinheiro em quantidade inferior à receita que os agricultores tinham com as exportações contratadas, diminuindo o risco. Financiam insumos e equipamentos em escala que favorece cadeia industrial da qual as próprias trading são determinantes com seus financiamentos. Uma amarração geral em escala global. A bancarrota financeira pôs fim ao giro financeiro ao interromper o crédito internacional. Crash à vista.A interferência do governo federal no Banco do Brasil, para jogar o juro para baixo, tem outra grande motivação, segundo representantes do setor agrícola, qual seja a de o BB suprir a falta das trading, que, sem fornecer oxigênio financeiro, para bancar o jogo do agronegócio, perderão espaço. Jogo bruto de mercado.
Abre-se ao BB a necessidade de preeencher o vácuo deixado pelas trading, em nome da salvação da agricultura, e a oportunidade de dispor de nova estratégia para a agricultura nacional como intrumento de promoção do desenvolvimento, a partir da organização do crédito ao setor e, igualmente, do restabelecimento de políticas que foram suprimidas pela prática neoliberal neorepublicana, emergente depois da ditadura militar, a partir de 1985.
A periferica capitalista, nessa ocasião, sob os impactos da crise monetária dos anos de 1980, passara a ser administrada pelo Consenso de Washington. Os Estados Unidos, para enxugar o excesso de dólares na economia mundial, subiram, violentamente, a taxa de juros, de 5% para quase 15%, estourando financeiramente as economias periféricas excessivamente endividadas em dólares, como era o caso brasileiro.
Por Cezar Fonseca

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