29/04/2012

'Game Over' para a Veja II: falta vazar 1 volume e 2 apensos

Quem sentiu falta de mais telefonemas vazados entre Policarpo Júnior (da revista Veja) e Carlinhos Cachoeira, aguarde porque tem mais chumbo quente vindo por aí.

O vazamento Inquérito nº 3430 do STF, publicado no portal Brasil247, foi só o primeiro volume. Ainda falta o segundo.

Também só foi vazado um apenso. Ainda faltam dois.


Mesmo assim, o que já foi vazado é suficiente para provar a promiscuidade na associação entre a revista Veja e a organização criminosa.

Senador tucano tenta negar "batom na cueca" da Veja

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) saiu em socorro da sua amada revista Veja, fazendo declarações na maior cara-de-pau, que equivalem a querer negar "batom na cueca".

Mas não há como negar o que está provado nos diálogos: Cachoeira dava ordens na revista para publicar coisas do interesse da organização criminosa.


Com isso o senador tucano se afoga junto com a revista nas águas turvas do Cachoeira.

Não custa lembrar que o senador já montou uma operação de arapongagem semelhante às do bicheiro, quando receptou em seu gabinete documentos roubados da Casa Civil da Presidência da República, e repassou na surdina para a revista Veja. Depois de dois meses de investigação e perícia nos computadores da Casa Civil, o senador foi desmascarado e teve que depor na Polícia Federal.

06/04/2012

A HEGEMONIA TUCANA EM RISCO - O PRIMEIRO PASSO EM FALSO DO CANDIDATO SERRA

Diz um conhecido adágio que esperteza demais acaba devorando o esperto. Esse é o risco em que incorre a dupla Serra- Kassab ao anunciar que o ex-governador poderia apoiar a recondução de Dilma Russef ao Planalto em eventual disputa contra seu colega de partido, o mineiro Aécio Neves.


O estratagema repete o usado pelo ex-governador em 2010 quando deu a conhecer que se eleito presidente daria continuidade às grandes linhas do governo Lula da Silva.
Além de não convencer adversários, a idéia, gestada em laboratórios de marketing eleitoral, produziu um cisma irreversível na própria base eleitoral do candidato.

Deve considerar Serra agora que, em virtude da aproximação do seu adepto prefeito à base de apoio do governo federal, o argumento soaria mais verossímil. Com aparência de verdade sim, de algum modo convincente jamais.

Para que Serra abandone o candidato presidencial tucano de momento,  em favor de Dilma, teria antes que anunciar o abandono futuro de seu partido e recusar, desde já, o apoio de que necessita das instâncias partidárias superiores do PSDB - todas alinhadas com o senador mineiro - a  fim de que continue cogitando de vencer nas eleições de outubro.

O suspeitoso gesto mal esconde o fato que verdadeiramente o motiva; a preocupação com a popularidade da presidente que, de acordo com pesquisas a serem divulgadas, conta com índice aprovação de 62% no Brasil e algo inferior a isso na capital paulista.

Tampouco oculta o incômodo com a popularidade nas alturas do presidente Lula da Silva que, convalescente de doença grave teve sua força eleitoral reforçada pela gratidão que lhe devotam diferentes setores da sociedade pela rota de sucesso em que colocou a economia nos últimos dez anos.

Mas se as falaciosas declarações de apoio a Dilma não têm o condão de fazer baixar os fuzis que haverão de levantar-se – à direita com Chalita e à esquerda com Haddad – contra a tentativa do ex-governador de reerguer-se na cena política, possui octanagem suficiente para carbonizar a recalcitrante confiança que ainda depositam em Serra a militância e a liderança tucana, de que desta vez não fará uma campanha traiçoeira a seu próprio partido.

15/03/2012

"José Serra odeia ser prefeito”, já dizia seu próprio secretário Walter Feldman

Serra deixa claro que escolherá interlocutores especiais na mídia para dar seus recados – e, se preciso for, não deverá hesitar em barrar perguntas que lhe incomodem, como já fez em suas duas últimas campanhas presidenciais. Você pergunta, ele vira para o outro lado e diz: “Essa pergunta eu não quero, é provocação”. Ou: “Para onde você trabalha?”

Serra censura silêncio prefeitura 2012Nada específico a declarar. Já ficou clara, desde a primeira hora, a estratégia do tucano José Serra para sua campanha à Prefeitura de São Paulo. Em silêncio, recusando de saída qualquer debate interno no PSDB, escolhendo a dedo interlocutores confiáveis na mídia e sem intenção manifesta de apresentar algum tipo de programa de governo em detalhes, Serra pretende passar incólume sobre questões que ele julga comezinhas. O patamar em que o candidato quer situar a peleja é preferencialmente o nacional, o que irá direcionar suas declarações muito mais a críticas à política macroeconômica e ao PT do que para soluções a respeito da crescente poluição atmosférica na maior capital do país ou a acelerada deterioração das vias públicas. Vai ser algo como Brasil 8 X São Paulo 2.

Será apenas na televisão, quando contará com os recursos de fantasia eletrônica que serão feitos pela produtora GW – sua parceira permanente – para embalar um arremedo de programa de governo, que Serra poderá se prestar, enfim, a revelar algumas pinceladas do que acha certo fazer com São Paulo – e, ainda assim, sem qualquer garantia de que venha a executar o que prometeu, quando estiver no cargo.

Depois de sepultar a ideia de qualquer debate programático e político no PSDB antes das prévias partidárias, Serra não tem a menor intenção de proporcionar entrevistas coletivas ou ceder grande espaços de sua agenda à imprensa. Ele poderá escolher, como é seu padrão, interlocutores especiais na mídia para dar seus recados – e, se preciso for, não deverá hesitar em barrar perguntas que lhe incomodem, durante momentos com profissionais não alinhados, como já fez em suas duas últimas campanhas presidenciais. Chega a ser engraçado. Você pergunta, ele vira para o outro lado e diz: “Essa pergunta eu não quero, é provocação”. Um Armando Falcão pronto e acabado!

“Você sabe, Serra não gosta de ser prefeito. Esse negócio de muita pressão popular, entidades organizadas, os problemas nos bairros, isso não é do feitio dele”, dizia, num rápido deslocamento de carro oficial pela avenida 23 de Maio, o então secretário de Subprefeituras, Walter Feldman, no ano de 2006, quando Serra era prefeito. Hoje, o mesmo Feldman acaba de ser escalado para fazer parte da cúpula da campanha serrista.

Os tucanos, àquela altura, estavam empenhados em criar um clima na opinião pública para Serra poder rasgar a promessa passada em cartório de não deixar a Prefeitura para concorrer ao governo do Estado. Era adequado, portanto, dizer que ele estava enfadado do cargo, mas com uma superdisposição de ser governador, isso sim!

Hoje, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já avisa que Serra tem, sim, todo o direito de, ao chegar à Prefeitura, objetivar outra vez o Planalto. Outro forte sinal de que as questões da cidade não estarão no foco do candidato, com a mira voltada para o alvo mais alto.

“Serra erra. O eleitor quer discutir a cidade”, irrita-se um assessor tucano que tangencia o fechado círculo de poder em torno do candidato. Para esta fonte, a declaração do candidato segundo a qual será um “sonho” ser prefeito de São Paulo foi feita sob encomenda dos que lhe cobram uma postura menos distante do dia a dia da cidade.

Lá no comando serrista, porém, a certeza é a de que a estratégia de “nada específico a declarar” é mais que acertada. Primeiro, porque já deu certo. Com sua determinação de só enxergar “incúria”, como gosta de dizer, na estrutura de poder que pretende tomar do adversário – foi assim praticamente todo o tempo da campanha municipal de 2004 em relação à gestão da então prefeita Marta Suplicy -, Serra se absteve de fazer, naquela eleição, propostas objetivas para a cidade. Hoje, como o prefeito é seu aliado, discutir na campanha local a agenda nacional é uma alternativa e tanto, que o poupa de atacar Gilberto Kassab, de quem precisa, e, também, de defendê-lo acentuadamente, ele Kassab que tem sua popularidade em baixa.

Os permanentes, até aqui, 3% do pré-candidato do PT, Fernando Haddad, igualmente reforçam essa linha de ação. Como anti-PT, Serra já subiu 9 pontos porcentuais no Datafolha, que não registrou, em seu último levantamento, publicado no domingo 4, nenhum reconhecimento do público que Haddad é o pró-PT.

Além de ser antagônico ao governo federal, a postura discreta em público, que contrasta com suas tiradas de humor duvidoso a jornalistas, especialmente mulheres, nos bastidores, aliada à fama de economista sabichão, compõem o resto do figurino serrista talhado à classe média conservadora que deve, ainda este ano, decidir a eleição paulistana. Tem gente na campanha de Serra, e não pouca, já dizendo que nunca terá sido tão fácil.

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